Atitudes sustentáveis e econômicas

A vida no campo me fascina. As doces lembranças de quem viveu uma infância marcada pelo ar puro, pelo cheiro do mato, pelas muitas brincadeiras inventadas com tão poucos recursos – tudo isso não deixava a desejar a nenhum brinquedo caro e de última geração. O leite fresquinho e o pão quentinho eram delícias que não podiam faltar.

Quando criança, acompanhava as plantações de milho e feijão, cultivadas pelo meu pai. Ele fazia questão de que eu e meus 5 irmãos o acompanhasse. Parecia um grande ritual. E isso tinha uma razão de ser. A terra e os alimentos ali cultivados sempre foram tratados como algo sagrado em nossa família. Eu ficava encantada ao ver aqueles canteiros enfileirados, prontos para receber as sementes e deixar aquela paisagem ainda mais bela.

Ele, sabiamente, distribuía para cada um de seus 6 filhos uma sacolinha de sementes. Em seguida, dava a seguinte instrução:

— Coloque em cada canteiro três sementinhas.

Ficava intrigada, e me perguntava: “Como pode três sementinhas transformarem–se naquela linda paisagem?”.

Adorava o cheirinho do mato, especialmente na madrugada, quando o acompanhava para ordenhar as vacas. Dava até para ver as gotas de orvalho refletidas pelos primeiros raios de sol.

Mas a vida urbana e todos os afazeres próprios da vida contemporânea me fizeram distanciar dessa rotina. Embora, como “filho de peixe, peixinho é”, sempre que posso, dou uma escapadinha e volto às raízes. Minha filha Júlia também curte esse contato com a natureza e me acompanha feliz da vida para algumas dessas aventuras.

Todavia, quando não estamos no campo, visitamos parques ou floriculturas em nossa cidade. O contato com a natureza recarrega a nossa energia. Em casa, cultivamos também uma pequena horta, e recomendamos a todos que façam o mesmo. Além de ser uma prática sustentável, consumimos alimentos muito mais saborosos.

Felizmente essa prática vem ganhando novos adeptos a cada dia. E razões concretas justificam esse hábito: as mudanças climáticas, o aumento dos preços dos alimentos, o uso indiscriminado dos agrotóxicos e, principalmente, a busca por alimentos saudáveis. Em especial no meu caso, a adorável companhia de minha filha.

Esqueçam as desculpas: há aqueles que cultivam hortas em vasos normalmente, mesmo morando em pequenos ou grandes centros urbanos. É algo muito simples de se colocar em prática.

Sugiro a leitura de um livro infantil de minha autoria, que revela um pouco dessa minha experiência enquanto criança até os dias atuais: “Férias de Júlia no sítio sustentável” (Editora CAB – 2018).

Se deseja colocar em prática a horta doméstica e não sabe por onde começar, sugiro que vá até a floricultura mais próxima, selecione algumas mudas de hortaliças de que você mais gosta, adquira alguns vasos de cerâmica, ou se preferir reaproveite alguns recipientes, compre uma quantidade ideal de terra já preparada, argila expandida ou pedrinhas, e pronto! Agora é só regar e colocar no sol por pelo menos 3 horas diárias. Siga o tutorial abaixo e comece hoje mesmo.

Por Josi Gomes Barros

Economista e escritora

 

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *